sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

CAPITULO 1 - Só Um Pesadelo.


CAP. 1
SÓ UM PESADELO.
02:40  A.M – 27, Agosto, 2010 – Iowa.

   ~ Lacey's POV ~

   Acordei no meio da noite, toda suada, havia acabado de acordar de um terrível pesadelo. Uma batida de carro na estrada, um caminhão de cargas, e eu e Jannie todas ensanguentadas. Pior pesadelo da minha vida, e pior porque incluía minha melhor amiga, a qual eu planejava fugir desse fim de mundo, para a Califórnia.
   Eram 02:40 da manhã, eu ainda estava sonolenta, olhando pro relógio e apertando minha cabeça pra não acreditar que aquele sonho, digo, pesadelo nunca se tornasse realidade, e tentando esquecê-lo. Fui até o banheiro do meu quarto, já tinha arrumado as coisas da minha fuga com Jannie. Afinal, às sete da manha, provavelmente já estaríamos bem longe desse fim de mundo. Aproveitei e mandei uma mensagem para acordá-la, porque ela nunca acorda na hora, e fui tomar uma ducha, pra pegar um pouco de ânimo, e pra  acordar de vez. E nisso já eram 03:27, eu havia passado tanto tempo naquela banheira, que me esqueci totalmente da hora e de que a uns 20 minutos, até às 4 A.M eu deveria estar na casa de Jannie, pronta para ir embora.
   Finalmente sai, penteei meu cabelo, me arrumei, peguei as bolsas e a chave do carro. Tudo que eu precisava já estava pronto, e eu já esperava algum imprevisto acontecer com Jay, como eu sempre era a “responsável” da história. Peguei a chave do carro de minha mãe, coloquei as malas lá dentro, e quando partia para casa de Jannie, lembrei da minha Les Paul e minhas palhetas. Desci correndo até meu quarto e peguei-as. Já eram 03:42. Em menos de 10 min, já estaria na casa de Jannie, pegando as coisas dela para irmos para o aeroporto e vivermos bem longe desse inferno.

   ~ Jannie's POV~

   Meu alerta de mensagem tocou, e eu quase que quebro o banheiro graças a vadia da Lacey. Ela provavelmente deve estar achando que eu ia esquecer da nossa “viagem secreta sem volta”. Ao contrário da grande expectativa da Srª Responsável, eu já estava arrumada, e não sei pra que tanto. Mas sei lá né. Eu estava com minha blusa do Iron Maiden e com meu colar de palheta, delineando meus olhos com meu lápis de olho. Quando terminei vi que eu estava linda – O que é estranho eu dizer isso, porque sei lá, sou eu, e eu não gosto de admitir ou dizer essas coisas – Quando deu 20 minutos antes do combinado, eu já havia subido com minhas malas, minha guitarra, e com tudo que eu precisava.
   Coloquei as malas na porta da entrada e desci pra conferir se eu esquecia algo. Ah é, a carta para minha mãe – embora minha relação com ela não fosse das melhores, eu prefiri avisá-la para não a deixar preocupada – e deixei um presente para ela, e para meu irmão em cima da cama. Subi com os olhos lacrimejando, mas afinal, o que era aquilo? Eu tenho 19 anos e tô agindo como se tivesse 9! Eu mesma não me entendi. Sei lá, o que significava isso? Eu nunca havia ligado pra minha família e estava prestes a chorar porque ia abandona-la. Isso era estranho, até que começou a tocar Gunslinger no meu iPod e ai que eu tive certeza do que era, estranho, mas era uma gota de amor ou algo do tipo. Ah, 10 minutos! Finalmente, por um segundo eu voltei ao meu estado normal, com aquele “Yeah” e sequei as lágrimas, Lacey estaria chegando e não queria vê-la preocupada comigo, aquela vaca também tem sentimentos.
   Cinco minutos depois, eu me peguei recordando da minha infancia, enquanto eu estava deitada no gramado olhando pras estrelas. Lacey e eu correndo por aqui, brincando de lutinha e “fazendo shows” e aquilo me arrancou gargalhadas, senti meu rosto corando por me permitir aquele luxo por estar sozinha às 4 A.M. Até que eu despertei e vi uma luz de farol zigue-zagueando a rua, com o som alto, e de cara reconheci a música. Betrayed, a preferida de Lacey. E comecei a imitar a guitarra, até ela estacionar, fazer uma pose, tirar o óculos – que eu não entendi o porque dela estar usando – e perguntar se eu ia amarelar. Eu dei dedo pra ela, aquela vadia estava com a blusa super foda e a que eu mais gosto dela, a do Megadeth. Ela estava linda, como sempre, aqueles cabelos caidos perto da cintura, radiantes, sendo que estava de madrugada. Peguei minhas malas e coloquei na parte de trás do carro. E a mala com a grana que eu tinha guardado e que estava com as passagens foram comigo no banco do carona.
  
Passion in my eyes, I lived it everyday, but how could you go throw it all away?” – ela havia colocado Betrayed no repeat e nós começamos a cantar. Nisso bateu 03:53 e eu olhei para ela e disse:
-        Lacey, você já parou pra sei lá.. Nos imaginar na Califórnia?

-        Mas é claro – disse ela cheia de empolgação – Cara, os meninos mais lindos estão lá, fora que nós vamos para Huntington Beach! A cidade em que os caras do Avenged moram. Você entende isso?

-        Mas é claro – disse eu imitando o tom dela, mas sendo sincera – Lacey, nós vamos para trabalhar, você sabe, e nem que a gente cante em boates ou sei lá, casas de shows, restaurantes, nós temos que trabalhar, mas com música, certo?

-        Ah para, porque eu já pensei e já agi em grande parte. Tipo, nós iremos morar nessa mansão, dentro desse condomínio – ela me amostrou um panfleto de um condomínio lindo, mas eu a interrompi.

-        Lacey, acorda, onde que nós vamos arranjar tanto dinheiro pra comprar aquela mansão? Nós nem trabalhamos, nem começamos a fazer shows e tals..

-        Jannie, Jannie querida – disse ela ironizando – Eu quando digo que penso e executo tudo, eu não estou brincando. Comprar essa mansão foi muito mais fácil do que eu pensava. Sabe quanto custou?

-        Ham... Uns U$$500.000,00?

-        Não! Jannie, nós vamos trabalhar por um ano nesse condomínio e sabe quanto nós vamos ganhar?

-        Nada?
-        Exatamente – O tom em que ela disse, me assutou, completamente.

-        Eu realmente não te entendo. E as contas? De luz, água, gastos normais?

-        Jannie, não estou te reconhecendo, sinceramente.. Cadê a Jannie despreocupada e doida e irresponsável que eu conheço?

-        Palhaça! Está aqui, óbvio, mas... É sério, olha! Já estamos chegando..

-        E agora que você percebeu isso? Mas é muito lerda...

-        Estou muito eufórica pra me ligar com seus elogios vadia.

-        Okay, ajeite-se ai, porque eu só vou estacionar.

-        Huntington Beach... Nunca poderia imaginar!

-        Nem eu – disse ela, parando o carro, até que ela soltou um palavrão.

-        O que houve? - Disse eu surpresa com o palavrão no meio de nosso momento feliz..

-        O carro da minha mãe Jannie! Vou mandar uma mensagem pro meu irmão, vou deixar a chave nos faróis, vamos logo pra sala de embarque.

   Já eram 04:33, e ainda faltava muito para o avião decolar. Lacey estava dormindo no meu colo, ela parecia ter um pesadelo.. Eu estava rabiscando meu short porque não tinha mais nada a fazer, até que a aeromoça passou por nós e eu decidi perguntar de qual vôo ela era, até que ela me disse que era o que partia em 10 minutos, praticamente vazio. Que por sorte era o nosso.
   Acordei Lacey, que resmungou feito uma criança e pegamos nossas malas. Pensei que iríamos ter problemas com os policiais, mas não tinha um acordado. Assim que entramos no avião, desabamos. Só acordei quando deu 06:40 da manhã e apareceu uma mensagem no meu celular. Era da minha mãe e da mãe de Lacey, meio que furiosas e preocupadas. Mas não haveria perigo, nós já tínhamos 19 anos, e qualquer ato nosso seriam nossas consequências, nossa sorte era que o irmão dela havia chegado a tempo de buscar o carro no aeroporto. Percebi que Lay estava cochilando, parecia ter tomado uma ducha, e eu havia me esquecido que nesses aviões recentes tem cabines com chuveiros. Estava ansiosa para ver a aparência da cidade, e começar a pichar muros e tudo mais, mas o problema era que agora tínhamos que ser responsáveis – pelo menos no ambiente de trabalho – e depois faríamos que quiséssemos. Decidi dormir mais um pouco, fazer companhia de sono para minha “bitch friend” e só acordar quando puséssemos o pé – digo, primeiro o avião né – em Huntington.
   Acordei com Lay me dando socos, dizendo que por isso que ela sempre foi mais responsável – ela não perde a chance, pois é – ela chegou a jogar água na minha cara. E quando despertei, ela disse que já estávamos chegando, que era pra eu tirar minha cara de sono, tirar o pijama e colocar minha roupa normal.
   Daqui do alto, vimos uma placa “Bem vindos à Huntington Beach” nossos olhos brilharam, e soltamos gritos de alegria, o que foi bem estranho – mais do que nossa dança de fantasma – e dissemos uma à outra:

-        Bem vinda à Huntington Beach, Califórnia querida – nos entreolhamos e sorrimos, e depois rimos mais ainda.

-        Bem vinda a nova velha vida vadia – disse ela me provocando e sendo sincera.

-        Bem vinda! Haha, devíamos fazer um brinde Lacey, ah, vamos aproveitar hoje e ir pra boate, por favooor – disse eu já querendo farrear.

-        Hum, só depois de passarmos o dia dormindo, fechado?

-        Super fechado.

   Descemos do avião, o sol estava radiante, e pus meus óculos escuros e saímos andando por ai até acharmos um táxi. Todos deviam achar que éramos drogadas ou sei lá o que. Mas aqui nos Estados Unidos, isso é normal. Há muitas rockeiras por aqui, mas pelo menos nossos cabelos e aparências são normais, tirando as tatuagens, piercing e os alargadores. Chegando no condomínio, nós paralisamos, sei lá, não acreditávamos que aquilo era real.. Eu olhei para ela e disse com meus olhos brilhando:
-        Bem vinda à Califórnia.

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