sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

CAPITULO 3 - Leaving My Faith On The Danger Line

CAP. 3  
Leaving My Faith On The Danger Line
00:17 - 28, Agosto. Huntington Beach.

   Danger Line. Quando ouvi Lacey dizendo essas palavras, eu paralisei, e finalmente entendi o motivo da batida do carro. Ela iria deixá-lo ali, para que não houvesse um problema como reboque, ou nós sermos presas e pegarem nosso carro. Mais do que nunca na nossa vida, nós corremos como patos desesperados sendo perseguidos, e nós realmente estávamos desesperadas e sendo perseguidas.

   Estava chovendo muito, eu e ela não fazíamos ideia de quanto havíamos corrido, até que eu decidi arriscar olhar para trás. E pra minha surpresa, ou a policia tinha parado de nos seguir, ou eles estavam esperando nós darmos um passo em falso.

  Continuamos correndo como se não houvesse amanhã, até que Lacey, que estava na frente e na calçada oposta à minha, correndo com duas garrafas  se bate com algo ou alguém, cai e quebra a garrafa de vinho tinto.

~ Lacey's ON ~
-        Porra cara, você ficou maluco?!

-        Quem é você pra me chamar de maluco? Não sou eu quem estou correndo às... 00:35 da madrugada e quebrando garrafas de vinho tinto por ai, sou? – disse o cara que parecia ter levado um choque, e estava com um óculos, “a essa hora da madrugada”.

-        Não, ainda bem. Essa sou eu e o que você tem a ver com isso? – Eu disse estressada, e fiz o gordinho que estava acompanhando ele rir. – Do que você está rindo? – perguntei ao gordinho e a ele, que também estava se segurando para rir.

-        Ah, desculpa, não é nada, é que é engraçado ver meu amigão aqui levar um fora a essa hora da madrugada – ele disse gaguejando de tanto rir.

-        Cala a boca Zacky! – O branquelo narigudo gritou, rindo, até que olhou para mim de uma forma meio estranha – Você está sozinha?

-        E por acaso é da sua conta? E só pra ser meio educada, não, não estou sozinha. Minha amiga tá comigo – Até que eu olhei pra trás e vi Jannie vindo rastejando, aparentando estar morta de cansaço.

-        Hum. Você parece mesmo ser o tipo de garota que não comete crimes sozinha.

-        Olha só, quem é você pra ousar pensar que sabe alguma coisa da minha vida?

-        Provavelmente, não sou ninguém que te interesse, senhorita estresse.

-        Ah, pra mim já deu, vamos Jannie – Gritei, e quando olhei pra trás, vi e ouvi sirenes, e ela levantou e voltou a correr – Adeus.


   A polícia sumiu novamente uns 10 minutos depois, até que nos escondemos no meio da floresta que havia perto do condomínio e vimos a viatura passar.

~ Jannie's ON ~

-        Nossa cara, o que foi aquilo? – Eu perguntei, morrendo de rir, quando chegávamos ao condomínio.

-        Ódio, raiva, tudo! Quem aquele cara pensa que é pra, pra.. – Ela não conseguiu achar nada que ele tivesse feito errado pra acusá-lo – pra quebrar minha garrafa de vinho.

-        Nossa. E cara, você que esbarrou nele. Eu estava do outro lado da rua e vi o que aconteceu. Ele tentou te segurar, mas você caiu. Ele estava segurando a sacola com a Bacardi quando você caiu.

-        Não importa! Ele poderia ser um pouco mais simpático, não?

-        Você quem xingou ele primeiro.

-        Ah Jannie, já entendi, você se interessou por ele.

-        Não! Ele sei lá, parece que faz mais o seu tipo.

-        O meu tipo? Você enlouqueceu! Ele é ridículo, um hipócrita idiota.

-        Você parou pra reparar o jeito que ele te olhava, a cara que ele fez ao ver você?

-        Não, é claro! Eu não tô nem ai pra suas baboseiras, tenho coisas para me preocupar, além de um idiota.

-        Se você diz né.. E ah, como que vai ficar a questão do carro?

-        Eu irei buscá-lo, só vou te deixar em casa.

-        Mas, nós deixamos a chave na portaria, e tanto Chris, quanto Sebastian devem estar dormindo.

-        Puta merda, me esqueci disso. Estou com a chave do carro aqui, toma a Bacardi e vai pra casa – disse ela antes de virar a nossa rua, e foi embora.

   Eu não iria ficar na rua sozinha, afinal, tinha uma casa totalmente acesa, então decidi bater lá pra ver se me deixavam entrar enquanto Lacey não vinha. Pra avisá-la que estava na tal casa e não deixá-la preocupada caso não me achasse, mandei uma mensagem pra ela.

   Subi os poucos degraus que tinham na porta de entrada e bati na porta a espera de um convite de entrada. Poucos segundos depois, um carinha baixinho e fofo apareceu na porta, com uma cara meio estranha e sorridente.

-        Oi docinho, o que faz você bater aqui a essa hora?

-        Ah, desculpe, eu sou nova aqui, acabei de me mudar pra aquela casa ali – apontei para minha atual residência – com minha amiga, e não conheço ninguém por aqui. Aconteceu uns imprevistos e eu fiquei trancada do lado de fora enquanto ela não chega. Eu, posso, entrar?

-        Ah sim, claro, a porta de entrada é serventia da casa! É.. Não é assim o certo ditado, né?

-        Haha, não, não é assim. Mas enfim, qual o seu nome? – disse eu ao entrar na casa, um pouco envergonhada e tentando quebrar o gelo.

-        Desculpe não me apresentar, meu nome é – Gnomo! Alguém gritou la da cozinha, uma voz grossa e masculina – Não, não é gnomo. Meu nome é Jonathan Lewis, mas todo mundo me chama de Johnny Christ.

-        Prazer pequeno Johnny – “Pequeno mesmo!” A voz gritou novamente, até que apareceu um jovem garoto, magro bem parecido com o Bruno Mars, que se juntou a nós – Meu nome é Jannie, mas podem me chamar de Jay.

-        Oi, desculpa atrapalhar aqui, mas não pude me conter em deixá-la e não conhece-la. Prazer Jay, eu sou o Arin.

-        Nossa. Arin, Johnny.. Parecem os caras do Avenged. Mas eles são muito sigilosos, nunca vi uma foto sequer deles – Eu não me contive e disse num tom meio triste.

-        Aaaah tá. Você curte rock – disse Johnny

-        Uhum, muito. E só um palpite.. Vocês também curtem né?

-        Claro! Olhe.. Você parece ser bem legal, e está tarde, já são 01:52, quer continuar aqui? Sei lá, sua amiga não chegou até agora – disse Johnny, me induzindo à ficar em sua casa.

-        Aceito, mas não vou dormir aqui, se eu estiver atrapalhando seu sono, podem se despreocupar, eu dou um jeito de voltar pra casa.

-        Que nada! Para de bobeira, você acha que nós vamos dormir cedo? – disse Arin

-        Certo. É, desculpa eu me intrometer, mas vocês moram aqui sozinhos?

-        É... não, moramos com nossos amigos, somos cinco. Mas só tem três em casa. E um tá com a namoradinha no quarto.

-        É, o Matt. – acrescentou Arin – Você iria se dar bem com as gêmeas, mais com a namorada dele, ela é mais legal.

-        E a outra? – Eu perguntei, já que eles tinham assunto e eu não.

-        Ah, é um poço de simpatia – disse Johnny num tom irônico.

-        Imagino.. Ela namora com algum de vocês?

-        Não, ela já ficou com um dos que saiu, mas nada muito sério, mas ela vive correndo atrás dele, coitado.

-        Eita – Eu disse e se fez um longo silêncio, que logo fora quebrado, quando dois rapazes todos molhados chegaram fazendo uma algazarra, mas pararam quando me viram.

-        Boa noite seus gays – disse o mais altinho que estava com um óculos – Quem é essa Johnny? Namorada de um de vocês?

-        Não viado, diferente do seu caso, meus casos não me perseguem – O gordinho e Arin fizeram um barulho de “Uuuuuh” pra irritar o que havia perguntado – Ela é nossa nova vizinha, Jannie.

-        Prazer Jannie, meu nome é Brian mas pode me chamar de Synyster G. – ele disse de uma forma simpática.

-        Prazer Brian – disse eu para Brian com um aperto de mão, enquanto o que estava do seu lado vinha para minha frente.

   Ele tinha olhos verdes claros, era mais ou menos de minha altura, cheirava bem, e era meio fortinho. Estranho, mas eu me senti estremecer por dentro quando ele veio em minha direção para me cumprimentar, mas não deixei isso aparentar muito.

-        Prazer, ah, não sei seu nome – Eu não pude conter o sorriso de orelha à orelha que apareceu na minha cara.

-        Mas eu sei o seu, Jannie, belo nome, perfeito para você – O sorriso dele era lindo e provavelmente estava igual ao meu – Meu nome é Zachary, mas prefiro que me chamem de Zacky V.

-        Ah sim, prazer então Zacky.

-        O prazer é completamente meu princesa. – Ele parecia estar em transe.

-        É.. Caras, vamos, pra lá – Disse Brian para Johnny e Arin.

-        Não ligue para eles, principalmente para Brian, ele é meio intrometido e idiota às vezes, ou na maioria das vezes.

-        Haha, não faz mal, isso deve ser falta de uma namorada – Eu disse espontaneamente, e só depois reparei no que tinha dito.

-        Na verdade é excesso de chiclete, ele tem um rolo com a gêmea do Matt, já sabe disso né?

-        Uhum, isso é ridículo..

-        Ela parece ter medo de perdê-lo, ela tem ciumes de mim com ele!

-        Nossa – Não me conti e dei uma gargalhada.

   Passamos muito tempo jogando conversa fora, até perceber que já eram 2 A.M e que Lacey não havia dado sinal de vida, o que me deixou um tanto preocupada. Meus pensamentos foram interrompidos por Zacky, quando chegou com um sanduíche e perguntou se eu queria. Aceitei, mas por educação, e assim que terminamos nosso lanche da madrugada, ele ficou me olhando pelo outro lado do balcão da cozinha.

-        Zacky? O que foi?

-        Ah, desculpa, não foi nada..

-        Tem certeza? Você tá meio estranho.. Posso te fazer uma pergunta?

-        Claro! Faça – Seus olhos verdes brilharam ao dizer isso.

-        É, eu tô meio sem jeito, mas, você tem namorada ou algo do tipo?

-        Não, não mais. Por isso eu estava olhando para você, sei lá, era como se eu tivesse achado exatamente o que eu realmente precisava.

   Senti minhas bochechas corarem, mas ele chegou mais perto, mais perto até eu ficar imóvel e sentir seu corpo encostando no meu por trás, e ver ele me segurar pela cintura e cheirar meu pescoço, o que fez eu me derreter e me arrepiar toda. Estávamos num momento ótimo e estranho pra quem havia acabado de se conhecer, até que meu celular vibra e escuto a voz de Lacey me gritando. Ela bateu na porta, parece ter acordado à Brian, que logo desceu pra ver o que estava acontecendo.

-        Que que foi?! Ora, ora, olha só quem está aqui.. – disse ele num tom provocador

-        Ah, você. Jannie disse que está nessa casa, posso entrar para chamá-la?

-        Só se pode entrar se souber a senha – ele aparentava estar doido por ela, e ela morrendo de ódio dele. Deu pra perceber pela sua resposta.

-        E qual a senha? “Me deixa entrar antes que eu mande você tomar naquele lugar e te chutar até a morte?” – A raiva dela virou motivo de risos dele.

-        Ah que medo, entra logo, mas saiba que não vai sair tão cedo.

-        Fod*-se, afinal vai me deixar entrar ou não?

-        Eu já deixei.

-        Então me dá licença – Ela o empurrou até conseguir passar pela porta e me achar, com Zacky, que não teve uma boa reação também.

-        Hã? Vocês se conhecem? – disse ele para mim

-        Eu que pergunto, daonde vocês se conhecem? Lacey?

-        Ah, ele – ela apontou para Syn – e esse que você está aninhada me confrontaram hoje na hora que a gente saiu da boate.

-        Era com eles que você falava? Eu estava tão cansada que nem percebi – Eu disse meio que cabisbaixa por causa do azar ou sorte que eu tive.

-        Infelizmente. Agora vamos, já são 3A.M os mocinhos já deveriam estar dormindo.

-        Ah não, é, sei que não começamos direito, mas deixe-me conversar com ela mais um pouco? Por favor Lacey – disse Zacky parecendo uma criança pedindo doce – Jannie, você quer dormir aqui comigo hoje? Digo, vocês não querem dormir aqui? A casa de vocês duas ficam no final da rua, e está muito deserto.

-        Ah, ela já chegou Zacky, me desculpa, e afinal estamos num condomínio, não tem perigo – disse eu tentando fugir daquela situação.

-        Você que acha – disse Gates botando pilha para nós ficarmos.

-        Olha senhor preocupado, ela não está sozinha, ou você não me viu? – Disse Lacey a Zacky, mas olhando para Gates. –  Então, vamos embora Jay.

-        Ok. É, se você quiser, aqui tá o meu numero – eu disse a Zacky – e o dela também – disse indicando que ele poderia dar para Brian – Hoje mais tarde, se der a gente se fala.

-        Tá bom então – disse ele num tom triste – Até mais..

   Quando estava passando pela porta, me virei e vi Lacey encarando Brian e quando virou as costas, ele sibilou “Gostosa.” o que me fez rir, muito.

-        O que significa aquilo srtª Jannie? Já tá com aquele cara?

-        O nome dele é Zacky e do bonitinho que você fica encarando é Brian.

-        Zacky, Brian? Estranho, não? São os nomes dos guitarristas do Avenged. Ah, isso me irrita tanto, ele me irrita tanto, como consegue ser tão insuportável? Ah.

-        Você tá caidinha nele.

-        Cala a sua boca Zaca.

-        Eu admito, estou sentido algo que não consigo explicar pelo Zacky, mas sei que ele sente o mesmo e que querendo ou não foi assim desde o momento em que batemos os olhos um no outro.

-        Ui, que lindo. Mas cara, cê tem certeza do que sente?

-        Eu não sei explicar, mas seja o que for, eu tenho certeza.

-        Cara, mudando de assunto, eu passei um sufoco, tive que ajeitar a loja, colocar 5 garrafas idênticas as que nós pegamos, fora o carro que resolveu parar no meio do caminho. Tive que ir até o posto encher o tanque. Mas deixei com o Chris, que sabe dirigir e que mora do lado do posto. Ele me trouxe até aqui, foi legal...

-        Imagino, pegou as chaves com ele?

-        Puta merda, esqueci.

-        Vou ligar pro Sebastian, ou gritá-lo, acho que ele já está acordado, está vendo a luz acesa?

-        Uhum, pera, vou pular o muro – Disse ela já subindo e caindo na grama do outro lado. Pegou as chaves reservas e abriu tanto o portão, quanto a casa.

-        Vou ir dormir agora Lay, até.

-        Dorme comigo aqui no meu quarto cara. Estou sem sono. Tem um colchão de sobra aqui.

-        Ah sério, que legal, vou só trocar de roupa.

~ Lacey's POV ~

   Ela disse que só ia trocar de roupa – disse eu para mim mesma, à espera de Jannie – Af' cadê aquela vadia? Tô morrendo de sono. Vou até o quarto dela. Surpresa, já desabou. Que sorte a minha, se ela visse o meu banheiro, ela piraria. Nunca mais vou beber como hoje, cruzes. Olhei pro relógio e levei um susto ao ver que já eram 3 A.M e já ia fazer um dia que eu não dormia, desde que cheguei aqui. Cansada de lutar com o sono, resolvi dormir.



~ TO BE CONTINUED ~

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

CAPITULO 2 - Welcome To The New Life


 CAP. 2
Welcome To The New Life.
27, Agosto, Huntington Beach.

   Foi um sufoco para nós acharmos um táxi disponível, cruzes. Do aeroporto até nossa “humilde mansão” eram 20 minutos. Quando chegamos na porta do condomínio, o gerente Williams veio nos receber para nos mostrar nossa casa e fazer um tour por lá. Levamos uns 10 minutos caminhando até chegarmos à nossa mansão, o que eu achei um absurdo, sendo que tínhamos comprado o carrinho de golf. Percebi que Lacey estava muito mais entretida com o gerente do que eu. Depois ela iria me explicar. Eu percebi o jeito que ela olhou pra ele, assim que o viu pela primeira vez. E isso era bem engraçado, sei lá, namorar com o primeiro cara que apareceu, na Califórnia “o lugar com garotos mais lindos” , era bem irônico ela gamar no primeiro engravatado que apareceu.

-        Bom meninas, essa é a casa de vocês, já já seu mordomo irá carregar as malas, aproveitem! - disse o gerente simpático.

-        Ah, antes de você ir embora, uma pergunta, se acontecer algo aqui na casa, para onde nós ligamos – disse eu, tentando ser um pouco simpática e quebrar o gelo que ele e Lacey deixaram.

-        Ah, aqui meu cartão, na verdade do condomínio né.. Vocês podem ligar a qualquer hora e deixar recado na secretária eletrônica.

-        Ok, mas você não quer entrar para tomar um café com a gente não? – disse Lacey quando ele já estava indo.

-        Ah, obrigada srtª Marshall, mas vocês acabaram de chegar, não quero atrapalhá-las..

-        Então você vem depois – Eu disse, antes que Lacey desse mole de novo.

-        Depois a gente vê isso, ok? Vou-me embora agora, até outro dia, aproveitem! – Disse ele.

-        Até então, tchau Chris! - Dissemos juntas e após ele virar a curva da nossa “rua”, entramos finalmente.

~Lacey's ON~

   A casa era um espetáculo, parecia com aquelas casas de novela, ela era linda.. Tinha escadas na entrada lateral, era branca, bem clara, com a vista da quadra que tinha para lazer. E antes da varanda ela era espelhada, digo com vidros. Eu e Jannie subimos para vermos nossos quartos. Tinham 3 suítes na verdade, uma para visitas. Não tinha essa de suíte master, premium e solteiro, duas eram praticamente iguais, que no caso uma minha e uma de Jannie, e a ultima deixaríamos para hóspedes.

-        Jannie, olha isso! – gritei eu do meu banheiro, expressando a minha surpresa ao ver uma banheira de hidromassagem, 5 segundos após eu gritar, Jannie chegou.

-        O que foi doida? UAU! Nem fui no banheiro, fui direto pro closet. Lay, você já guardou a mala com o dinheiro ou quer que eu guarde no cofre que tem lá?

-        Ah, pode guardar então.. Espera – disse eu assustada – eu ouvi um barulho lá de baixo, tem alguém além de nós aqui?

-        Não, Chris já foi embora.. Não é o tal mordomo não – Às vezes eu invejava a capacidade mental de Jannie, por mais que ela não fosse tão intelectual, ela era esperta.

-        Ah é, esqueci disso, essa vida de rico não é fácil – Eu tinha que ironizar um pouco.

   Descemos ao encontro do mordomo que por acaso já havia comprado os mantimentos mais que perfeitos, para encher a dispensa. O mais tosco foi que as comidas eram tudo lights, sem graças, mas então resolvemos deixar aquelas comidas para ele, que parecia saber de etiqueta e que iria encher o saco para sermos educadas e finas. Ele era alto, forte, de boa aparência e tinha olhos verdes.
   Não tivemos um grande tempo de conversa, embora eu e Jannie quiséssemos conversar com ele.. Ele parecia ser bem legal e engraçado, embora mantesse o senso bem sério..
   Logo subimos para nossas suites – closets – banheiros – quartos , whatever, para arrumarmos logo, porque hoje era dia de nossa estreia em Huntington, o dia em que iríamos conhecer a cidade, ir pra uma boa balada, e ficar lá até sermos expulsas. Isso até percebermos que já eram 15:00.
   Terminamos tudo bem rápido, ainda mais porque a casa não precisava de faxina e sim de arrumação, e disso, ou grande parte disso, Sebastian já havia cuidado.

-        Jay! Vem cá, rápido! – disse eu eufórica pra saber com que roupa Jannie ia usar pra sair.

-        O que foi leba? – Ela tinha que me zoar, pelo menos por um segundo.

-        Você vai sair com que roupa?

-        Como é que é? Quem é você e o que fez com a Lacey que eu conheço??? Cara, desde quando a gente se importa com isso? Eu vou com meu short, meu all star e minha blusa do Machine Head. Só. Precisa de mais? Eu não vou mudar só porque moro em uma mansão, ou algo do tipo.

-        Eu sei Jay, nem eu, mas sei lá, eu achei mais roupas aqui, um vestido preto tomara que caia. E eu não vou sair diferente de você.. Somos praticamente gêmeas, alma ou irmã gêmeas esqueceu?

-        Não, nunca! Lay, você é minha melhor amiga desde sempre, minha única amiga, a qual eu fugi de casa, a qual sempre me ajudou e que eu ajudei, nunca iria esquecer de você. Agora vai lá, pega esse vestido porque eu quero vê-lo.

-        Ok. Espere ai – Ela sentou na minha cama esperando e ficou reparando nos detalhes da minha suite, enquanto eu ia buscar o tal vestido – Aqui -http://www.sabetudo.net/wp-content/uploads/2010/05/xadrez-vestido-2.jpg-

-        Nossa, ele é lindo. Mas é meio formal para uma balada, não?

-        É, agora que eu parei pra pensar nisso..

-        Então... Deixe-me ver seu guarda roupas.

-        Vai lá, que eu vou tomar um banho, e quando eu terminar, você vai se arrumar, para sairmos logo.

-        Ta bom, vai logo synderella.

-        Vai pra merda! – Dei dedo pra ela.

-        Também te amo sua linda! – Disse ela num tom irônico. As vezes eu pensava.. Como que Jay consegue ser tão insuportável..


~ Jannie's ON ~

   O closet dela era completamente cheio de coisas dessas mulheres milionárias que sabem de etiqueta e são cultas, haha. Verdes, pretos, lilás, uau. Até que as roupas eram bonitas e eram a cara da Lacey. Parece que o pessoal do condomínio, no caso, da gerência, conheciam-na muito bem.. Mas Lay não tinha cara dessas pessoas um tanto, estranhas para nós. Mas ela daria um jeito de ficar mais a vontade com aquelas roupas, tipo na vez que fomos pra festa de 15 anos da minha prima e ela estava com uma calça jeans e uma blusa de banda, e estava linda, e é isso que eu acho errado as pessoas dizerem que sendo rockeira não pode ser feminina e tal, ela estava do jeito dela mas bem ideal pra uma festa. Eu ia fazer o mesmo com meu vestido verde. Meus pensamentos foram interrompidos quando ela chegou já completamente arrumada e perguntou o que eu estava fazendo parada ainda. Dai eu percebi quanto tempo havia se passado, e decidi ir tomar uma ducha bem rápido.
   Quando eu estava no banho, ouvi um barulho, que parecia ser da casa ao lado, ou da minha rua, que parecia estar tocando Second Heartbeat. O que era estranho, é porque parecia ser ao vivo e não pelo próprio CD Waking The Fallen. Quando acabou a música, eu estava saindo do banheiro, já com meu short e minha blusa e tudo mais. Quando cheguei no quarto da Lacey, ela já havia descido, devia estar comendo algo ou me esperando mesmo.

-        Até que enfim né. Depois eu que sou a synderella, mó sacanagem isso, tá?

-        Desculpa Lacey, é que eu me distrai lá..

-        Uhum, entendo. Ah, você ouviu? Não somos as únicas rockeiras daqui.

-        É, eu percebi.. Estava tocando Second Heartbeat! Do Avenged! Aqui! Tipo, você não achou o som estranho não?

-        Mais ou menos, mas do que importa? Já são 17:15, vamos sair ou não? – disse ela meio que estressada ou algo do tipo.

-        Claro! Só uma coisa, cadê Sebastian? Já o avisou que iremos sair?

-        Uhum. Ele disse que não quer ir, tem afazeres pessoais, ele fez duas cópias da chave da casa.. Uma nós temos, outra ele tem e a ultima reserva caso “imprevistos” aconteçam.

-        Uh, gostei dele haha, bem previnido. Mas pera, ele já sabe de...

-        Tudo? Aham. – disse Jay parecendo adivinhar o que eu queria dizer.

-        Nossa – disse eu meio que, espantada ou com pena dele.

-        Vamos? – Perguntou ela ansiosa, e pra responder com um “sim” fiz uma breve reverência na porta.

   Já eram 17:30 quando passávamos pela portaria com nosso carro, e deixamos a chave lá com Chris. Fiquei com vontade de perguntar se ele queria ir com a gente, mas lembrei que hoje nós iríamos curtir e não sair socialmente com os amigos pra vadiar. Ok, isso também, mas era pessoal, era só eu e Lacey.

~ Lacey's POV ~

   Eu estava viajando na minha cabeça enquanto saíamos, não dera nenhuma importância para o que Jannie falava. O que era estranho, porque eu estava muito ansiosa, mas pra algo tão comum, tudo que fazíamos em Iowa, e que trazemos aqui para Huntington.. Então não fazia muita diferença, mas acho que era por causa do fato de que estávamos na Califórnia agora. Tinha muito mais do que só zoar com Jannie, agora tinha garotos também, garotos lindos. Mas sei lá, uma pontada no meu coração quando vi que se arrumássemos garotos, seríamos independentes, uma por uma, e isso doía. Mas tava na hora de desgrudar um pouco, por mais que doesse.

   Senti uma lágrima surgindo no meu olho, mas a sequei quando voltei para mim. Jay estava distraída mexendo no seu celular, e com a luz do por do sol, seu cabelo estava brilhando, ela tava realmente parecendo uma daquelas californianas branquelas que pareciam top models. Af. Todos dizem que levaríamos jeito pra modelos se “nos cuidássemos” mais, o que me fazia ficar com raiva do preconceito com nosso jeito. Com nosso jeito. Jeito de se vestir, de se falar, de sermos nós mesmas, parecia que isso incomodava e muito as pessoas.

   Olhei para o relógio, e vi que já eram 17:53, e 18:00 em ponto já estaríamos lá, de acordo com o que Sebastian me instruiu.

   Foi um sufoco conseguir chamar a atenção de Jannie, que ficava totalmente aérea ao mexer no celular ou no computador, e também porque eu estava no volante, não podia largá-lo só pra dar um soco naquela vadia. Até que eu dei um grito e ela saiu de transe.

-        Jannie!

-        O QUE FOI?

-        Haha, calma cara, só pra te avisar pra fechar as janelas e guardar as coisas, vou estacionar aqui.

-        Já chegamos? – A lerdice ou a falta de atenção dela me impressionava, e muito.

-        Uhum, coisa lerda.

-        Vai pra merda.

-        Vamos juntas, haha – Disse isso enquanto passávamos pelos portões da boate.

~Jannie's POV~

   A boate era muito daora, sei lá, tinha uns caras lá, e estavam com blusas de banda, só sei que quando passamos por eles, eles soltaram uma piadinha ou uma cantada, sei lá, dizendo que finalmente alguém normal nessa porra de Califórnia. O que fez Lacey rir enquanto sentávamos no balcão do bar. Estávamos decidindo se devíamos comprar uma Bacardi, ou Champagne. Até que um deles, o mais alto, chegou e perguntou se queríamos alguma dose, e nos convidou para sentar na mesa deles.

   Eles tinham uma boa conversa, e descobrimos que eles tinham uma banda, mas não deu muito tempo de conversa, até que um deles me beijou e o outro beijou Lacey. Tomamos mais umas doses, e eles tinham absinto – o que deixou Lacey muito doida – e fomos embora.

-        Lacey, você viu aqueles caras?!

-        Não, imagina, sou cega. Cara, o que eu fiquei era muito gostoso, e beijava muito bem. E o que você ficou?

-        Também, ele tinha pegada, mas cara, eles estavam locões, será que a gente vai se encontrar outro dia, será que eles se lembrariam do que aconteceu? – Eu disse enquanto procurava uma loja de bebidas.

-        Não, é claro, acho que nem eu vou me lembrar dele amanhã, não lembro nem do que comi no café da manhã de hoje – Ela realmente estava bêbada, eu acho que com tudo, eu era a que menos ficava bêbada com facilidade, o que era uma boa pra poder lembrá-la das merdas que ela fez na vida até ela me dar um soco – Hey, Jannie, olha aquilo, uma loja de bebidas! Vamos lá!

-        Bora, mas pera, ela tá fechada, você tá com a sua chave ai pra tentarmos abri-la?

-        Isso é, mas é fácil, nós já fizemos isso tantas vezes no bar do Paul lá na nossa rua.

-        Uhum.. Vamos, já são 22:47, daqui pode passar os tiras, você lembra da reportagem que a gente viu antes de fugir? Que eles sempre passam antes de 00:00, eu não quero ser presa.

-        Tá, vamos logo. Eu vou ficar aqui na espreita, caso apareçam, eu grito “Danger Line”, ok?
-        Ok. Espera, tem um carro estacionado ali, você se abaixa ou encosta nele que eu entro. Pegar o que? Uma de cada? Bacardi, Champagne, Vinho Tinto, Absinto, 40's?
-        Uhum, tá bom. Só não esquece de pegar sacolas. Eu vou lá buscar meu carro, espera ai, já volto. – disse ela correndo atravessando a rua pra pegar nosso carro que estava na garagem da boate.

   Passou-se uns 10 minutos, e eu estava tão aérea que não tive a noção de tempo. O tempo estava fechando, até que o som de música e uma buzina me acordaram. Era ela, finamente. Já havia aberto as portas do carro – a da frente para mim, e as de trás pra colocar as bebidas.
-        Vadia, vai logo, que eu tô de olho aqui.
-        Ok – Respondi como se fosse um soldado ao dizer “sentido” e entrei na adega. Fui direto ao ponto, primeiro duas sacolas, e coloquei as bebidas lá dentro. Mas percebi que elas tinham chip, e mais rapidamente os tirei. Até que eu ouvi portas do carro batendo, ela travando o carro e enfim as palavras que me fizeram estremecer internamente.
   Danger Line.